Atenção participantes: 3, 2, 1… Cozinhando!

Em 2 ago 2016

foto post cozinha“Em um lugar qualquer, vendo um programa de culinária:

_ Empratar, selar, mise en place, saltear, apurar, chamuscar, destemperar, reduzir, emulsionar, flambar, fazer infusão, marinar, ressalgar, acidificar, aromatizar… Que diabos! Isso é programa de culinária ou é o lançamento de um novo dicionário da Língua Portuguesa?”

Fim.

Nunca aprendi a cozinhar. Não falo com orgulho, nem com frustração. É só uma constatação. Na verdade, nunca tive vontade de aprender. Minha mãe, uma pessoa que cozinha de forma espetacular (é sério, ela poderia ganhar muito dinheiro com isso, inclusive) bem que tentou me ensinar alguma coisa, mas eu sempre fugia. Dizia que não dava pra ser naquela hora, ou fingia que estava prestando a atenção, mas nem era comigo.

Depois de muito tempo (bota tempo nisso) e de me casar com um cara que cozinha muito bem também, percebi que eu simplesmente não quis aprender a cozinhar por razões bem feministas. Quando adolescente (e até bem depois disso) eu não queria me casar, não queria ter filhos e não queria cozinhar. Bem, o tempo passou. Eu me casei, ok. Filhos continuo não querendo ter por enquanto. E não aprender a cozinhar acho que foi uma besteira da minha cabeça, pois hoje eu estaria mais independente neste aspecto. Pelo menos eu sairia do duo salada ou massa integral.

O fato é que na época em que a minha mãe tentou me ensinar a cozinhar eu achava que esta tarefa era meio brega, muito direcionada à submissão da mulher como mãe e esposa. Hoje em dia, no entanto, a coisa parece ter mudado: primeiro pela quantidade de homens na cozinha (meu marido é um deles); segundo pelo grande número de programas de culinária na TV, que mostram como este trabalho pode ter glamour e requinte (mesmo os programas que falam da comida do dia-a-dia); terceiro pela ausência da obrigação de cozinhar que temos hoje (antes a mulher ficava na cozinha o fim-de-semana inteiro cozinhando para um batalhão; hoje ela pode cozinhar para si mesma ou simplesmente dizer para pedirem uma pizza, seja porque ela tem que entregar um relatório importante, seja para cumprir o prazo de um recurso judicial).

É… Os tempos mudaram (ainda bem!). Acho que se eu fosse aprender a cozinhar hoje, talvez eu não tivesse fugido tanto da minha mãe (coitada!). Talvez eu tivesse aprendido a, pelo menos, cozinhar o arroz e o feijão, que eu adoro. Contudo, continuo achando que essa história é pra quem tem talento e penso que eu, definitivamente, não tenho o menor jeito pra cozinha (o pouco que eu faço sai com muito ou com muito pouco tempero… Um desastre!).

Aí você diz “mas ainda há tempo, Andrea!” e aí eu digo “deixa pra lá”. A preguiça dando na cara da gente! O jeito mesmo é ficar morrendo de fome ao ver os programas de culinária à noite na TV e tentar adivinhar no Google qual o significado das expressões que os chefs inventam. Isso, sim, é difícil de adivinhar! “Emprata” essa, sua Louka!

 

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