Culpa: é sempre da mulher?

Em 25 fev 2019


Com tantos casos de violência contra a mulher pipocando por aí, não resta outra alternativa a não ser meter o dedo na ferida e perguntar se o discurso de que “a culpa é da mulher” ainda vai se manter por muito tempo. Afinal, uma sociedade que se espanta mais com o fato de uma mulher levar um homem para o seu apartamento no primeiro encontro, do que com o ato de ela ser espancada por 4h, dá sinais de tá tudo muito errado mesmo.

“Mal conhece já leva pra casa”, “homem novo com mulher velha dá nisso”, “devia estar pagando”, “não se deu ao respeito”. Estas são algumas das frases que ouvi sobre o caso da moça que foi brutalmente espancada por 4h em seu apartamento por um cara que ela conheceu na Internet. Frases preconceituosas, que só diminuem a mulher e só aumentam a violência deste caso e de tantos outros que a gente ouve por aí.

Muitas das pessoas que eu ouvi remetiam ao fato de que, agindo desta forma, a mulher agredida deu ensejo pra passar pelo que passou, afinal, se ela não tivesse procurado namorado na Internet, se ela não tivesse convidado o cara pra sua casa, se ela não tivesse transado no primeiro encontro, se ela não tivesse feito isso ou aquilo… Ou seja, o pensamento machista de que a culpa é da mulher pelo que acontece com ela continua pairando no ar como num episódio de uma série medieval da TV.

É a mesma coisa sobre aqueles casos de estupro que a gente vê por aí: tem logo aquele que fala que “também, com esta roupa, tá pedindo”, sendo que há pouco tempo houve uma exposição que exibia roupas de mulheres que passaram por violência sexual no dia em que foram violentadas: não havia short curto, não havia decote, não havia grandes amostras de pele. Eram roupas que você e eu usamos todos os dias: calça jeans, camisa, tênis, etc.

Posso falar por mim mesma: sou uma mulher que, por puro conforto, adora usar uma calça e prefere uma blusa sem decote. Nem por isso fico imune a cantadas nojentas na rua, ou a falas lascivas ao pé do ouvido vindas de alguém que eu nunca vi. Ou seja: roupa não diz nada.

Roupa não diz nada, atitude não diz nada, convite não diz nada, pele à mostra não diz nada. O fato de uma mulher passar por uma violência deste tipo, como a que houve aqui no Rio de Janeiro na semana passada, só mostra o quão doente, machista e patriarcal ainda é esta sociedade em que vivemos.

Muita gente critica o feminismo e o empoderamento feminino, e muitas pessoas, inclusive mulheres, não gostam destes termos. No entanto, na minha humilde opinião, enquanto ainda houver uma só mulher que passe por uma violência deste tipo, ainda temos que dar nome às coisas, sim. Ainda temos que influenciar as mulheres a se empoderarem, sim. Pois somente desta forma estas mulheres poderão reconhecer em si mesmas os seus valores e a sua autoridade, com menos culpa, menos remorso e mais força.

Não, a culpa não é da mulher. E me desculpem se este texto não foi engraçado quanto são os demais deste blog (afinal é um blog de humor feminino), mas é que não posso me calar diante de tanta brutalidade noticiada. Ninguém pode se calar. Não podemos nos calar nunca.

E a propósito, já que vem vindo o carnaval, não custa nada lembrar: não é não.

Bjs!

By Andrea Nascimento

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