Mexeu com uma…

Em 6 abr 2017

Sim, mexeu com todas! Sororidade! Esta é a palavra! Num momento como este, me reporto à coluna do Deu a Louka da semana passada: FALE!

Nos chamam de loucas, histéricas e patéticas, mas só sendo mesmo uma mulher pra saber o que é viver numa sociedade machista, na qual dizer “bom dia” em tom jocoso a uma mulher na rua é considerado por muitos uma coisa inocente… Mas a gente sabe que não é.

Nos chamam de piradas, nervosas e trágicas, mas só sendo mulher pra saber o que é sentir nojo quando você passa na rua e é chamada de “princesa”, tendo que abaixar a cabeça pra não “esticar o papo”, pois se você resolve revidar, de um minuto pra outro você vai de princesa a piranha. Não sei o que é pior…

Nos chamam de dementes, ansiosas e ridículas, mas só mesmo sendo uma mulher pra saber que a “gentileza” de dar passagem pra você sair primeiro no elevador, na verdade, esconde aquela checada de cobiça nas suas partes traseiras.

Nos chamam de esquisitas, confusas e dramáticas, mas só uma mulher sabe o que é se vestir para uma reunião de trabalho majoritariamente masculina e pensar “melhor usar calças do que saias”, para que te tratem de maneira mais igual, sem ficar manjando as suas pernas.

Nos chamam de perversas, apreensivas e malignas, mas só sendo uma mulher pra saber o que é ter que se passar por burra pra fingir que não entendeu uma “cantada” e mudar logo de assunto, afinal assim não se gera polêmica (e nem uma possível demissão).

Nos chamam de feministas em tom de ironia, mas só sendo uma mulher para acordar todos os dias e dizer “eu quero, eu posso e eu consigo”, nem que eu tenha que dormir 4 horas por dia, trabalhar, estudar, fazer faculdade, educar uma criança, gerir uma microempresa, estudar pra concurso, passar menos tempo com a família, juntar dinheiro e ainda assim ganhar menos. E fazer isso tudo maquiada, arrumada e magra, é claro! Sei…

Que fique claro: nada tenho contra o protagonista da polêmica, nem é meu desejo denegri-lo aqui, mas devo concordar com as colegas que se solidarizaram em relação à moça que sofreu o assédio: desculpas não bastam.

Sororidade! Sem dúvida estamos diante de um momento ímpar na história, na qual uma mulher vítima de assédio não se calou e teve a coragem de desafiar o machismo na sua essência. Ela falou e isso é só o começo! Palmas para ela e palmas para a emissora que a apoiou.

Que este triste episódio sirva de exemplo para conscientizar homens, pais, avôs, maridos, namorados, tios, primos, chefes, vizinhos, etc. de que “brincadeira” deste tipo não é “brincadeira”. Novamente, só sendo uma mulher pra saber o quanto isso ofende e humilha uma mulher.

Antes de “brincar”, pense em como se sentiria a sua mãe ou a sua filha no lugar daquela mulher.

Parafraseando a homenageada da coluna da semana passada, “machistas não passarão”!

Sem mais: #chegadeassédio

 

Imagem: Freepik

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