Sobre a capacidade de dar (tudo) errado

Em 17 maio 2016

sobre (2) Começar. Começar. Recomeçar. Recomeçar. E começar de novo. Re re re re re começar. Dá errado. Recomeça de novo. E de novo. E de novo. E de novo.

O guru da internet diz “encontre a positividade dentro de você, seja blindado, energia positiva, foco”. Os livros de autoajuda estão aí pra isso. Tudo tem uma solução. Tem um problema? Quer se ver livre dele? Quer vencer? Vá em frente! Lute! Aja! Construa um novo futuro, uma nova vida! Faça! Nada contra, mas por que diabos às vezes parece que nada dá certo?

Seria o cosmos conspirando com suas forças ocultas? Seria o destino, pré-estabelecido como numa casta hindu? Seria a incompetência inerente e escondida por entre camadas hermeticamente escondidas depois de crostas e crostas de sujeira? Seriam os acontecimentos que não podemos prever nem controlar, no mais alto nível filosófico espinosista? Um devir? Ou será que o problema vem de anos e anos de sistemas interligados que de tão entranhados e colados ficam difíceis demais de soltar e de adquirirem novos rumos. Só mesmo com soda cáustica, talvez.
É, ficou confuso.

É o que se pensa quando tudo ao mesmo tempo dá errado. Há a tendência de tentar achar a culpa escondida e envergonhada em algum cantinho do castigo, com orelhas de burro e virada para a parede. Mas será que há culpa mesmo? Poderia ter. Mas será? Se olhar pelo lado espinosista da coisa, muito difícil. Seria uma rede entrelaçada de acontecimentos que não se pode prever e não se pode controlar. Até mesmo quando você acha um culpado, ele não é culpado, porque tudo o que veio antes dele quase que o obrigou a agir assim.

Daí você pensa, pensa, pensa… Fica zonzo de tanto pensar e pensar e pensar… Afinal, qual é o motivo de tudo isso? Até que chega ao derradeiro final lógico e mais racional que pode chegar: qual é o meu papel no mundo? Buáaaaaaa…

Por isso me pego tantas vezes cantando aquela música do Jack White: “I just don’t know what to do with myself”. É a mais pura verdade.

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