TRAINSPOTTING

Em 20 jul 2017

high speed railway platform

“Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha a p**** de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, leitores de CD e abridores de latas elétricos. Escolha a saúde, colesterol baixo e seguro dentário. Escolha um empréstimo com prestações e juros fixos. Escolha uma primeira casa. Escolha os teus amigos…”

Quem viveu nos anos 1990, conhece este monólogo! Ok, ok, já sei que você vai falar que eu faço muitas referências a décadas passadas, que eu digo que estas coisas são do meu tempo, que eu devo estar ficando velha, etc. Mas é isso mesmo: se você tem mais de 30 como eu, vai entender este post! Se tem de 29 pra baixo, acho que vai ter que fazer uma pesquisa rápida antes! Corre pro Google, sua Louka!

É que quando eu tinha 17 anos, assisti ao filme “Trainspotting”, de Danny Boyle, filme este que projetou Ewan McGregor ao estrelato, com todo louvor (porque o cara é bom mesmo). A contar pela minha idade na época, nem preciso dizer, né? Momento de descobertas, de novas emoções, de novas experiências, enfim, de tudo novo!

Tudo bem, eu sei que o tema central do filme era o vício em heroína que aqueles jovens tinham e as besteiras que eles faziam na vida com o uso de drogas. Mas sinceramente? Isso nem me influenciou naquele período, até porque esta parte não me interessava mesmo. O que me marcou de verdade naquele momento foi toda a modernidade que transbordava no filme: a música eletrônica misturada com Rock que bombava nas pistas, o figurino que misturava referências dos anos 1970 com os cabelos curtíssimos dos anos 1990, a liberdade que exalava no ar, a esperança de ser quem quisesse ser e por aí vai. Pra alguém que morava no Rio de Janeiro, que nesta época tinha ares de província, era uma explosão de emoções!

A vontade que dava era de pegar uma mochila nas costas e correr o mundo ao som de “Born Slippy” pra ver se aquilo tudo era de verdade mesmo! Aliás, que trilha sonora!

O fato é que neste ano de 2017, ou seja, 20 anos depois, o filme “Trainspotting” ganhou uma sequência: “T2”. E aqueles meninos e meninas que queriam levar a vida de acordo com os seus preceitos, por mais controversos que fossem, cresceram (ok, envelheceram, mas abafa o caso) e, salvo alguns personagens mais polêmicos,  tiveram que fazer escolhas de vida mais ortodoxas, ao contrário do que pregavam à época. Ou seja, nada que não tenha ocorrido todos nós, pobres mortais.

A máxima “Choose Life”, que falava das burocracias da vida adulta burguesa e que virou referência do filme, que permeou tanto as nossas cabeças nos anos 1990, teve que se atualizar: ao invés de falar em escolher aparelhos de televisão gigantes para se inserir numa sociedade pós-moderna e se tornar alguém de respeito, agora fala em escolher IPhones e última geração.

Ok! Se agora você se enrolou e não está entendendo nada, recomendo assistir o filme, sério!

Mas se resolveu ir até o fim deste post bastante segmentado ao público que está chegando aos 40, agora entenda o porquê de eu estar escrevendo isso tudo: assisti “T2 Trainspotting” nesta semana, ou seja, tomei coragem e finalmente vi a sequência do filme 20 anos depois e confesso que foi meio que fazer uma reflexão dos últimos 20 anos que se passaram na minha vida e da maneira que eu escolhi levar a mesma. Isso você pode fazer também com qualquer filme: assista um filme da sua adolescência e veja como se sente muitos anos depois! Você só precisa ter saído da adolescência pra isso, né? Ou quer que eu desenhe?

No meu caso, a experiência até que foi positiva: fiquei com a imagem da florzinha da gratidão na cabeça! 20 anos se passaram e thank God: adoro a minha vida! Adoro as coisas que faço, adoro as pessoas que me cercam, adoro as escolhas que fiz, os lugares que fui, enfim, adoro ser eu! Isso não tem preço! Neste trem da vida (pra quem não sabe, se traduzirmos “trainspotting” ao pé da letra seria “o hobby de ver trens passando”), faltando 3 anos para chegar aos 4.0, acho que fiz as escolhas certas! Mas o trem ainda não parou, né? Ainda tem muitos vagões pra correr por aí!

Choose your future! Choose life!

Imagem: Free Pik

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